Expert XP: diretor do BC vê “meio copo cheio” para o Brasil

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Boris Bellini –

Gabriel Galípolo, Diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), compartilhou visões otimistas sobre a economia brasileira durante sua participação no primeiro dia da Expert XP 2023. O economista afirmou que o mundo parece estar se recuperando da inflação alta que surgiu com a pandemia, além de ver o Brasil bem-posicionado para aproveitar esse momento.

Ele é o mais recente membro do Comitê de Políticas Monetárias (Copom), responsável por decidir os caminhos da taxa de juros do país. Galípolo, inclusive, falou sobre a divisão ocorrida na última reunião, quando a Selic foi reduzida para 13,25%.

A equipe se dividiu entre um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) e 0,5. O Diretor suavizou, disse ser algo pequeno: “A divergência era sobre como você iniciava o ciclo”, se referindo ao início do período de quedas nos juros. E concluiu: “Se espremer, era uma coisa bem menor do que pode parecer”.

O Brasil no cenário atual

Durante sua participação na Expert XP 2023, o Diretor do BC disse ser difícil interpretar o cenário econômico de boa parte do mundo hoje a partir das principais teorias econômicas tradicionais.

Ele destacou, inclusive, que as séries históricas de diversos indicadores ainda sofrem impactos da pandemia de covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Porém, em sua visão, o Brasil tem “meio copo cheio”, pois o país segue crescendo e tem a situação fiscal melhor do que já esteve no passado – e melhor também do que outras nações atualmente.

O economista ainda abordou outras características, como as reservas internacionais: “um cinturão de proteção muito importante”, definiu diante o momento de juros altos.

Em sua visão, o copo meio vazio hoje se dá por conta do cenário internacional, principalmente os juros mais altos nos Estados Unidos. Para isso, o Diretor de Política Monetária propõe seguir analisando quais serão os impactos na economia brasileira e, então, reagir corretamente.

Pressões políticas e arcabouço fiscal

Para Gabriel Galípolo, é legítimo que existam pressões políticas em relação à taxa básica de juros. Ainda de acordo com o economista, essa visão é compartilhada pelos seus colegas do BC. Diante disso, a qualidade dos técnicos do BC foi ressaltada como uma blindagem contra questões de cunho político.

“Seria ingênuo a gente achar que não haveria debate político sobre o tema. Isso existe nos EUA e em outros lugares”, afirmou durante sua participação na Expert XP 2023.

Ao falar do executivo e do legislativo, Galípolo também abordou o novo arcabouço fiscal. Ele integrava a equipe do Ministério da Fazenda durante a elaboração do projeto. Para o economista, foi uma construção política realizada junto aos parlamentares.Agora, o economista afirma que vê os agentes do mercado financeiro atentos para saber se o arcabouço será respeitado pelo governo e, caso seja, se essa postura será mantida. Assim, conforme os sinais positivos surgirem, eles devem se refletir nos preços dos ativos.

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